A Rosa Hereditária
sábado, agosto 06, 2016
Havia apenas uma palavra para descrever Hiroshima: o inferno. Crianças vagavam nuas pelas ruas pedindo água, mais água, comida, mais comida. Bem entendido, os sobreviventes nada sabiam sobre as radiações e a contaminação, não sabiam que estavam condenados à morte. Após alguns dias, e mesmo um ou dois meses depois, as pessoas foram expostas a fortes temperaturas e ainda havia mortes. Porém, antes disso, sobre as feridas começaram a aparecer vermes que davam ao corpo um aspecto de carne podre, e não de ser humano. Ainda assim, a lembrança mais trágica que eu guardo é a da destruição total provocada pela bomba. Ou melhor, do desaparecimento da superfície da Terra de um homem diante da porta de sua casa.Restava apenas uma sombra sobre a porta e nada mais. Um homem havia desaparecido, evaporado; apenas uma sombra lembrava que ele havia existido.
Texto extraído do depoimento realizado por Nobuyuki Fukuda, cuja eloquência é assustadora e cumpre o dever de nos relembrar o verdadeiro horror e terrorismo que já assombrou vidas: o lançamento de bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki nos dias 06 e 09 de agosto de 1945, respectivamente, pelos norte-americanos. Tais bombas continham 35 mil toneladas de TNT (Tri-Nitro-Tolueno). A partir de 1980 já existiam bombas guardadas com ogivas multi-direcionadas com capacidades equivalentes a nove bilhões de toneladas de TNT, ou seja, 257 vezes mais potentes que a primeira. A imagem acima junto ao depoimento são poucas das verdadeiras lembranças conservadas pelo pior ato cometido na História da Humanidade.

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